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Silvia Pereira

Um minuto, uma hora em palavras

Textos


Sei que parecerei insensível, ou talvez, para alguns, um tanto quanto negativa. Também não quero ser dona da verdade ou “advogada do diabo”. O que me faz pensar é o quanto as pessoas se entregam ao consumismo e a coisas mundanas e sem importância real ao “ser” nesta época do ano. Do ponto de vista cristão, o verdadeiro sentido do Natal é o nascimento do Salvador. Vamos aqui tentar apenas refletir alguns pontos sobre esta fase: as festas de Natal e Ano Novo. Constam pesquisas nas quais o calendário primeiro adotado surgiu na Mesopotâmia, por volta de 2700 a.C., provavelmente entre os sumérios, e foi aprimorado pelos caldeus. O calendário possuía 12 meses lunares de 29 ou 30 dias, e serviu de base para o adotado pelos judeus. Como cada mês começava na lua nova, o ano tinha 354 dias, ficando defasado em relação ao calendário solar. Para resolver o problema, os caldeus acrescentavam um mês a cada três anos. O primeiro calendário solar foi criado pelos egípcios, em meados do terceiro milênio antes de Cristo. Muito mais preciso, já tinha 365 dias. Hoje, utilizamos o calendário gregoriano, que não sofre influência do movimento dos astros. Ele foi instituído em 1582 pelo papa Gregório XIII (1502-1585), que reformou o calendário juliano - uma herança do Império Romano. Consultoria Ricardo Pereira Cabral, professor de História Contemporânea da Universidade Gama Filho (UGF). https://novaescola.org.br/conteudo/167/como-onde-feito-primeiro-calendario-babilonia-mesopotamia-sumerios-caldeus
A partir daí, o mundo passou a marcar datas comemorativas para tudo. Claro, o sentido laboral e o sistema capitalista pedem datas, horas, etc. Mas tudo tem seu lado negativo. Vivemos atrelados a uma coisa que chamamos tempo e que nos deixa presos e cheios de ocupações e estresse. Falando agora de Natal e as festas de final de ano, o que se percebe é um exagero em comilanças, presentes, viagens nem sempre dentro dos padrões das famílias, um corre-corre nem se sabe para quê, enfim, um consumismo exacerbado. Independente do credo, pergunto, será que não seria mais provençal vivermos um dia de cada vez e tentarmos não nos “iludir” com o comércio desta data? Não quero ser piegas. Falo em equilíbrio, em fala e prática. Prega-se o sentido da “boa nova”, do nascimento, então o natural não seria o encontro entre as pessoas, o amor e a paz que Ele pregou, sem exageros e comilanças, bebedeiras desnecessárias? Por que não reforçar hábitos salutares e encontros e reencontros com amigos, parentes que não vemos há tempos? Visitas a instituições onde pessoas muitas vezes à margem da sociedade vivem momentos e uma vida solitária e infeliz? Sei que muitos o fazem, ainda bem. Mas que tal revisar isso em nossas vidas? E olha que nisso me incluo. Que tenhamos um novo pensar e um novo entendimento das coisas que nos cercam. Desejo, então, imensamente, um novo olhar para o que vem, já que ele virá adentrando a cada lua, a cada sol que nasce. E nós, simples mortais, trabalhando, amando, vivendo, enfim, às vezes, na cegueira do que realmente acrescenta ao outro e a nós mesmos, consequentemente. E que assim seja!
Sílvia Pereira
Enviado por Sílvia Pereira em 01/01/2019
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