Ser ou não ser...Mãe
Gravidez, parto, maternidade são experiências transformadoras e até romantizadas. É um eterno aprendizado dar à luz, alimentar, prover, esperar o crescimento saudável. Creiam, vale a pena.
Era março de 1993. O bebê rebentaria ao mundo no final do mês. Segundo filho de uma mulher mais madura agora, gravidez normal, sem intercorrências.
Ele foi apressado. E no dia 8 de março em consulta de rotina, as enfermeiras avisaram no corredor: cesárea de emergência, cesárea de emergência, liguem para o anestesista.
Toda mulher que já pariu saberá do que falo. Há sempre uma ansiedade, um “será que dará tudo certo?” E ouvir que seu filho está em estado de sofrimento, coração batendo rápido deixa qualquer parturiente em alerta e assustada. Tentaram amenizar, mas já haviam falado.
Como positiva e conspirante para que o universo traga bons retornos, bons fluidos, ela esperou pelo melhor. Tinha pouco a fazer. Ao final, mãe e filhos ficaram bem.
Ela nunca quis saber o sexo na ultrassonografia. No primeiro parto, como eram poucos os recursos na cidade, nem foi possível. Neste parto igualmente.
José Marti, ensaísta e ativista cubano disse: “Plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro.” Esse aforismo já faz parte da vida daquela mulher.
Nasceu um menino e a mãe, que já escrevia, plantou árvore, agora era mãe de um casal sente-se completa. Será?
Meta cumprida? Não. Novamente, sem romantizar, viver é um eterno aprendizado. E con-viver (viver com) com seres únicos, seguros de si, bem informados e inteligentes tem seus desafios.
E como esta mulher aceita e ama desafios, sem temor, com coragem, ela diz: Tudo valeu a pena.
Hoje ele, o menino Renan, faz vida nova. E eu aqui, aplaudo esse homem que se tornou, responsável, respeitoso, crítico a tanta misoginia e a tanta violência contra a mulher. Acho que tive parte nisso e agradeço ao Universo.