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CARTA A UM RÉPROBO
Quando me pedes perdão
em sombras de passado
afrontas mal resolvidas
odiosos resquícios
demérito ínsito
em decapitação de “eus”
trabalhados em decalques
de mulher-bodoque
logo eu, fênix desassustada?
logo tu, revelação
de meio-homem,
abusado e incontestável
projeto inacabado
em construção
propício ao óbito em vida?
então machucas
ao púlpito sagrado
teu instinto machucado
desfere flechas em ti
oh, falso profeta
em harúspice ato de desespero
se morri, renasci
em cinzas moreno-claras
luminescências
fugaz, plena, feliz.
SÍLVIA PEREIRA
Sílvia Pereira
Enviado por Sílvia Pereira em 29/03/2026
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