REAL -AÇÃO
Sílvia Pereira
O mundo mudou muito. Relações fluidas, outras tóxicas, algumas “faz-de-conta”, as relações virtuais, tudo fácil, até que se prove o contrário. Zygmunt Bauman, sociólogo e filósofo polonês, em seu livro, uma série, expõe que “tudo é temporário e a modernidade, tal como os líquidos, vivencia um período de instabilidades em que tudo é provisório”. A internet facilitou o contato entre as pessoas, mas artificializou a conexão. a satisfação tem pautado as relações tão quanto os produtos que compramos. “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.”
A palavra liquidez remete a “fluidez, ausência de forma definida, velocidade, mobilidade inconsistência”.
As relações sociais, econômicas e de produção são frágeis, fugazes e maleáveis, como os líquidos. O Capitalismo trouxe nas relações algo como a troca, o toma-lá-dá-cá. É uma barganha que procura um retorno rápido e com pouco investimento. O “comprador” procura um ganho imediato e egoísta. Se não tem, parte para outra compra. E assim não compra nada, mesmo tendo algo de bom para dar.
Acontece que quando se tem sabedoria, isso pode mudar. E quando falo em sabedoria, falo em visão de mundo, prioridades, aceitação e autoconhecimento. Sempre, a autoestima e o reconhecimento de suas fragilidades, de seus maiores erros passados, de suas escolhas e o que elas podem acarretar.
Claro, com a modernização, a mulher se tornou mais independente e dona de si, apesar de ainda nos tornarmos presas e muitas vezes fáceis de relacionamentos tóxicos. Mas hoje ela pode falar não e procurar seu caminho, se separar e recomeçar sua vida.
Ah, se a vida viesse com bula! Impossível, pois que somos seres sociais. As inter-relações, muitas vezes, independem de um somente. É uma via de mão dupla.
Olhar para as pessoas, reconhecer afinidades, verificar atos e ações não dizem tudo sobre o indivíduo, seja homem ou mulher. Mas são parâmetros primeiros para uma relação saudável, não únicos.
Para a mulher, ainda, parece mais difícil quando o tempo passa e a idade vem
O etarismo e sexismo, tão falados, fazem dela objeto de prazer enquanto jovem e de preconceito e, muitas vezes, até de repulsa, por parte de uma sociedade patriarcal e machista.
Volto à sabedoria comentada no início destas linhas. Afinal, o que queremos? Para onde achamos que chegaremos com tanto individualismo? O que é ser feliz? Quais as nossas prioridades para uma vida feliz?
Que mulher nunca ouviu: “Você ainda vai arrumar uma homem bom”. “Você não para com ninguém. “ ou, “Você já tentou tantas vezes, deve ter algo de errado em você.” Seus parceiros têm o mesmo perfil.” E por que tanto julgamento e apontar de dedos?
Difícil. Mas nunca disseram que viver seria fácil. Talvez generalizando. Mas poderia ter bula, ah, poderia.
E a verdade é que, pagando muito pela independência e liberdade, podemos dizer: ainda vale a pena!
https://guiadoestudante.abril.com.br/especiais/zygmunt-bauman#:~:text=A%20palavra%20liquidez%20remete%20%C3%A0,raz%C3%A3o%20foi%20substitu%C3%ADda%20pela%20incerteza.
https://blog.stoodi.com.br/blog/filosofia/zygmunt-bauman/