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Silvia Pereira

Um minuto, uma hora em palavras

Textos


         A data foi escolhida por ser o dia da morte de Zumbi dos Palmares, e pretende destacar os movimentos de resistência negra à escravidão

         A história do 20 de novembro começa na Porto Alegre de 1971. Foi naquele ano que surgiu o grupo Palmares, formado por quatro universitários negros gaúchos: Oliveira Silveira, Antônio Carlos Côrtes, Ilmo da Silva e Vilmar Nunes.

O papel da Princesa Isabel e a “Abolição” como plano de fundo nos tempos de Ditadura fizeram com que esses personagens da história se movimentassem para tornar a data marcada. Era a década de 70. Imaginem.

Líder quilombola Zumbi dos Palmares

         De acordo com o Severino Vicente da Silva, professor e doutor em História da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Zumbi dos Palmares foi preso e morto depois de ser traído por seus aliados. “Ele foi traído por um núcleo de pessoas amigas. Foram negros que fizeram um acordo com os portugueses e entregaram Zumbi através de uma armadilha”, 

         Zumbi dos Palmares sucedeu seu tio Ganga Zumba

Ganga Zumba vai para Cucaú, região mais ao Sul de Pernambuco, com a promessa de um território livre. 

       É nesse contexto que Zumbi – que, mesmo sendo negro, fazia parte de uma família real – se torna a principal liderança de Palmares, que reunia cerca de 16 quilombos entre as regiões localizadas entre o norte de Alagoas e o sul de Pernambuco. Antes de se tornar o principal alvo da Coroa Portuguesa do século XVII, ele foi criado por padres e chegou a ser levado para Portugal. 

        “Zumbi se torna uma liderança importante no período da guerra contra os portugueses porque é o comandante que vai combater as tropas anti-quilombo”, professora de História Vitória Trindade enfatiza: “Para além do que Zumbi efetivamente fez, sua importância está ligada àquilo que ele representa. O mais importante: o combate ao racismo nos dias atuais é, justamente, a inspiração trazida pela sua postura combativa frente à escravidão, principalmente por se tratar de um nascido livre. Isso lembra ao povo preto a responsabilidade do Ubuntu [filosofia africana que prega que a existência de uma pessoa está conectada à do outro] e reflete também na fala adaptada de Audre Lorde: ‘não serei livre enquanto outro for prisioneiro, ainda que suas correntes sejam diferentes das minhas’”.

         Zumbi foi morto no dia 20 de novembro de 1695, na Serra da Barriga, em Alagoas. Ele teve a cabeça cortada e levada para o Recife, onde foi exposta em praça pública.

Mas há muitas versões de sua morte.

        Depois de 300 anos do assassinato de Zumbi dos Palmares foi criada a Lei 9.315, em 20 de novembro de 1996, que inscreve o nome do líder como herói nacional no “Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria”.

“Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria”

 

        Além de Zumbi, o líder abolicionista Francisco José do Nascimento (conhecido como Dragão do Mar); o escritor, advogado e jornalista Luiz Gama; e Maria Felipa de Oliveira, guerreira negra e símbolo da resistência que lutou pela independência da Bahia, também são citados no Livro de Aço.

 

        Sem dúvida, há muito ainda para evoluir em igualdade racial, respeito e consciência de classe, também ligada à racial. Tudo é um longo processo, árduo e de formiguinha. Mas sigamos na luta.

 

 

Sílvia Pereira

Referências:

https://www.brasildedireitos.org.br/atualidades/consciencia-negra-qual-a-origem-da-data-celebrada-em-20-de-novembro/?gad_source=1&gad_campaignid=9324397828&gbraid=0AAAAADxOzWRcv2lQOWiS-2Tz0t_YDcLJ4&gclid=CjwKCAiA8vXIBhAtEiwAf3B-g47bGMApMnokVn9cr3BZ-mMqsAatXdoKmO8Lfba3rkHgrfN3dgxX3hoCQYwQAvD_BwE

https://almapreta.com.br/sessao/cultura/novembro-negro-conheca-a-trajetoria-de-zumbi-dos-palmares/?gad_source=1&gad_campaignid=22546923003&gbraid=0AAAAAqda5pzd9L6m-Zd92FPLc4BkD5xn4&gclid=CjwKCAiA8vXIBhAtEiwAf3B-g_2O3wAMo0nZvt1q3_QM1QGzw3mw9K1qMp8sGu4r09koE3EQuf2AqBoC_loQAvD_BwE

 

 

 

 

 

 

 

Sílvia Pereira
Enviado por Sílvia Pereira em 12/04/2026
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